Mulher Sanidade Mental De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não existe uma definição concreta do que vem a ser saúde mental. Também conhecido como sanidade mental, esse é um termo utilizado para descrever a presença de qualidade de vida emocional ou cognitiva, ou a ausência de alguma doença mental. As diferenças culturais, a forma subjetiva de julgamento e as teorias que se relacionam com o assunto afetam a maneira como “saúde mental” é definida, um bom exemplo disso são as relações saudáveis que apresentamos no nosso ambiente de trabalho, familiar e social. A medicina ocupacional, é uma das áreas que trata da saúde do indivíduo dentro do ambiente profissional, não somente na parte física, mas também a saúde psicológica. Os exercícios realizados por meio da ginástica laboral são uma forma de ajudar o indivíduo nesse quesito, já que eles promovem o relacionamento social e o trabalho em equipe.

Saúde mental também implica saber lidar e administrar a relação com boas e desagradáveis emoções e sentimentos, como:

  • alegria;
  • tristeza;
  • coragem;
  • medo;
  • amor;
  • ódio;
  • serenidade;
  • raiva;
  • ciúmes;
  • culpa e frustrações, etc.

O reconhecimento dos próprios limites e a busca de ajuda, quando necessário, é uma das características da sanidade mental. Alguns critérios são levados em consideração para se avaliar e identificar a saúde mental. São eles:

  • atitudes positivas em relação a si próprio;
  • crescimento, desenvolvimento e autorrealização;
  • integração e resposta emocional;
  • autonomia e autodeterminação;
  • percepção apurada da realidade; domínio ambiental e competência social.

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Tratamento Mental

Tratamento Doença MentalOs transtornos ou doenças mentais são tratáveis, geralmente com a manipulação e associação de medicamentos controlados com os meios psicológicos. Alguns casos não necessitam da utilização de medicamentos, sendo usado apenas um tratamento psicológico. Como tantas outras doenças, as chances da pessoa que sofre de algum transtorno metal responder favoravelmente ao tratamento, independente de qual seja ele, são bem altas.

O estigma causado pela doença mental é um problema que afeta quem a possui, dificultando no momento de buscar auxílio de outras pessoas. Entretanto, cabe ao profissional o diagnóstico correto do problema do paciente, fazendo a devida indicação dos recursos necessários para sua recuperação.

É muito importante que haja um crescimento do interesse dos profissionais por assuntos que dizem respeito à complexidade do tema "saúde", trazendo à tona novos conhecimentos e pesquisas que sejam de grande valia e benefício aos pacientes, seus familiares e a comunidade.

Os psicólogos ajudam o paciente a compreender a doença e a verificar uma maneira de resolver o problema que contribui para isso. As questões podem envolver o trabalho, a escola, a família e a comunidade. A terapia ocupacional, a psicoterapia e os medicamentos controlados são inclusos no tratamento e avaliação da saúde mental do paciente.

Para cultivar uma boa saúde mental, é necessário: não se isolar, reforçar os laços de amizade e os familiares, diversificar os focos de interesse na vida, manter-se fisicamente e intelectualmente ativo, consultar um médico, assim que surgirem alguns sintomas de perturbação emocional.

Segundo alguns dados, a cada 100 pessoas na sociedade, 30 sofrem ou pode vir a sofrer, em algum momento na vida, de algum problema de saúde mental e que 12 delas tenham uma doença mental grave.

Em relação às pessoas que possuem algum transtorno mental, a ajuda se dá através do não preconceito ou julgamento, apoiando, reabilitando e integrando o indivíduo.

Reforma Psiquiátrica

De acordo com o portal de saúde do SUS, a Reforma Psiquiátrica é uma grande mudança que garante o acesso das pessoas aos serviços de atendimento público em Saúde Mental, tendo como diretriz o respeito aos direitos dos pacientes e à sua liberdade.

A lei 10.216/2001, conquistada após 12 anos de luta social, ampara essa reforma, que está baseada na transição do modelo de tratamento obsoleto (isolamento) para um mais eficiente (convívio com a família e a comunidade).

Esse novo parâmetro de atendimento é realizado em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, Ambulatórios, Hospitais Gerais e Centros de Convivência. No decorrer desse projeto, os grandes hospitais psiquiátricos serão substituídos e as internações serão feitas em hospitais gerais ou no próprio CAPS/24 horas, quando necessárias.

Legislação de Saúde Mental

Saúde Mental TrabalhoLei nº 8.080, de 19/09/1990: dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.

Lei nº 8.142, de 18/12/1990: dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências.

Portaria nº 2203 GM/MS, de 05/11/1996: aprova, nos termos do texto a esta portaria, a NOB 1/96, a qual redefine o modelo de gestão do Sistema Único de Saúde.

Portaria nº 373 GM/MS, de 27/02/2002: aprova a Norma Operacional da Assistência à Saúde – NOAS – SUS 01/2002 que amplia as responsabilidades dos municípios na atenção básica.

Portaria nº 399 GM/MS, de 22/02/2006: divulga o pacto pela saúde 2006 (consolidação do SUS) e aprova as diretrizes operacionais do referido pacto.

Lei nº 10.708, de 31/07/2003: institui o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações.

Decreto de 28/05/2003: institui grupo de trabalho interministerial para os fins que especifica e dá outras providências.

Lei nº 10.216, de 06/04/2001: dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

Lei nº 9.867, de 10/11/1999: dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais, visando à integração social dos cidadãos, conforme especifica.

Lei nº 12.461 de 26/07/2011: vigência altera a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, para estabelecer a notificação compulsória dos atos de violência praticados contra o idoso atendido em serviço de saúde.

Portaria SAS/MS nº 351 de 21/07/2011: altera a classificação anterior e habilita, a contar da publicação deste ato, os serviços a seguir relacionados, para realizar os procedimentos previstos na Portaria SAS/MS Nº 189, de 20 de março de 2002.

Portaria SAS/MS nº 350 de 21/07/2011: habilita os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a seguir relacionados, para realizar os procedimentos previstos na Portaria SAS/MS Nº 189, de 20 de março de 2002.

Decreto nº 7.247 de 13/01/2011: dá nova redação aos arts. 10 e 12 do Decreto no 7.426, de 7 de janeiro de 2011, que dispõe sobre a transferência da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas – CONAS e da gestão do Fundo Nacional Antidrogas – FUNAD do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República para o Ministério da Justiça, bem como sobre remanejamento de cargos para a Defensoria Pública da União.

Portaria GM/MS nº 4.252 de 29/12/2010: destina recursos financeiros emergenciais para ações de qualificação da Rede de Atenção Integral em Álcool e outras Drogas, no âmbito do Decreto nº 7.179, de 20 de maio de 2010.

Portaria GM/MS nº 4.135 de 17/12/2010: destina recursos financeiros emergenciais para ações de qualificação da Rede de Atenção Integral em Álcool e outras Drogas em Municípios de pequeno porte, no âmbito do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas.

Portaria GM/MS nº 4.066 de 17/12/2010: estabelece recursos a serem destinados aos Serviços Hospitalares de Referências para Atenção Integral aos usuários de Crack e outras Drogas. Portaria SAS/MS nº 693 de 16/12/2010: habilita os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, a seguir relacionados, para realizar os procedimentos previstos na Portaria SAS/MS nº 189, de 20 de março de 2002.

Portaria Conjunta SGTES/MS nº 10 de 14/12/2010: homologa o resultado do processo de seleção dos Projetos que se candidataram ao Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde – PET – Saúde/Saúde Mental/Crack 2011, de acordo com o Edital Conjunto nº 27, de 17 de setembro de 2010.

Fonte: Centro Cultural do Ministério da Saúde

Saúde Mental para Rubem Alves

Escritor brasileiro, educador e contador de histórias, Rubem Alves dissertou sobre o que viria a ser Saúde Mental:

Casal Feliz"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para minha alma. Nietzche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental: Saúde mental, essa condição em que as ideias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez Shirley Valentine (Se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido, ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa...Não, saúde mental elas não tinham...Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente “equipamento duro”, e a outra denomina-se software, “equipamento macio”. Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades “espirituais” - símbolos que foram os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo “espirituais”, sendo que o programa mais importante é a linguagem. Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele. Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não comporta e se arrebenta de emoção!

Por isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou... Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, “saúde mental” até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música... Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contraindicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se: há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Sílvio Santos e do Gugu Liberato. Seguindo essa receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram...”

Fonte: “Sobre o tempo e a eternidade” Campinas: Ed. Papirus, 1996.